sábado, 28 de julho de 2007


Sábado, 28 de julho de 2007 - Fraudes contra aposentados retiraram ilegalmente R$ 10 milhões de 44.600 idosos no Piauí
Na maior fraude contra os empréstimos consignados de aposentados já registrada no Brasil foram retirados R$ 10 milhões de 44.600 idosos do Piauí, em uma estratégia de bancos, financeiras e corretores para retirar dinheiro dos beneficiados pelo INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). O crime de grandes dimensões foi descoberto em inquéritos abertos pelo delegado do Idoso da Secretaria Estadual de Segurança Pública, Marllos Sampaio, de 32 anos, desde novembro do ano passado e concluídos nesta semana.
Marllos Sampaio está concluindo os inquéritos indiciando 34 pessoas, com 11 pessoas presas, sendo que os líderes do grupo acusado de fraudes, Paulo Fernandes Rodrigues Machado, proprietário da Golden Crédito, e o agente penitenciário Agnaldo Lima Matos, gerente-corretor da financeira, nas regiões de Floriano e Bom Jesus, além de três foragidos e cinco com prisões preventivas decretadas. Pelo menos dois bancos estão envolvidos diretamente e Marllos Sampaio indiciou no inquérito o diretor do Banco Industrial, Carlos Alberto Castelli.
“Os números são realmente impressionantes. O Piauí é muito grande”, declarou Marllos Sampaio, o pioneiro no Brasil nas investigações de fraudes nos empréstimos consignados que permitem bancos, financeiras e coretores assinarem contratos de empréstimos com os aposentados descontando parcelas mensais de pagamento todos os meses nos proventos dos idosos, que no Piauí, na grande maioria dos casos, não ultrapassam R$ 360, o valor do salário mínimo.
A fraude fez vítimas nos 223 municípios do Piauí, com uma média de 200 aposentados por cada cidade.
O promotor de Justiça de Bom Jesus, Plínio Fabrício de Carvalho Fonte, baseado no inquérito de Marllos Sampaio, denunciou à Justiça 14 envolvidos em fraudes contra os idosos utilizando os empréstimos consignados – Cássia Cunha da Silva, Francisco João Carvalho Costa, Rafael Gonçalves Teles de Sousa, Luciana Barros da Silva, Nathanael de Carvalho Guedelho, Maria Ferreira Leci Folha, José Aires de Carvalho, Carlos Alberto Castelli, Luara Aguiar, Maria do Socorro Costa Carvalho, Adriano da Silva Machado, Agnaldo Lima Matos, Jardel Santos Matos, Paulo Fernando Rodrigues Machado.
O promotor de Justiça Plínio Fabrício de Carvalho Fonte definiu o que está acontecendo no Estado: “é uma prática mercantil leviana calçada no engodo, ardil, falsidade, exploração, aproveitando os poucos conhecimentos de milhares de idosos nos rincões mais distantes do Estado do Piauí”.
Em Esperantina, Marllos Sampaio está indiciando Francisco José Aires de Carvalho, chefe da financeira que atuava no munícípio e nas cidades de Morro do Chapéu, Piracuruca e Batalha, Aline Carvalho Freitas, namorada dele e foragida, Jardel Santos Machado, sócio de Paulo Fernando Rodrigues Machado, e o corretor Antônio Marcelo Resende Ribeiro, que foi preso e depois liberado pela Justiça, Marcelo Machado Vieira e mais cinco corretores.
Em Parnaíba (345 km de Teresina), Marllos Sampaio indiciou o vice-presidente da Associação dos Servidores de Baixa Renda, que atuava em consórcio com a Golden Crédito, Luara Aguiar Ramos, secretária da entidade, Maria do Socorro Costa Carvalho, do Conselho Fiscal da entidade.
Uma legião de corretores organizados em torno da Golden Crédito e Associação dos Servidores de Baixa Renda, com sede em Parnaíba, mas com sucursais em Esperantina, Bom Jesus e Floriano chegava nos lugares mais distantes do Piauí e ofereciam bônus, diziam que estavam em suas casas por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ofereciam empréstimos aos aposentados, que no Estado são arrimos de grandes famílias composta por filhos e netos.
Os corretores faziam com que os aposentados assinassem em branco ou colocassem seus polegares em contratos de empréstimos consignados. Em seguida, alteravam os valores acordados com os aposentados rasurando os contratos para aumentar os valores e nas costas dos documentos ainda estabeleciam pagamento de taxas de 2% a 5% para a Associação dos Servidores de Baixa Renda, presidida por Paulo Fernando Rodrigues Machado, dono da Golden Crédito.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A igreja de uma verdade só.

A igreja de uma verdade só
Sexta-feira, 13 de julho de 2007 - 10h39 Revista Época

O Vaticano divulgou nesta terça-feira um documento que aponta a Igreja Católica como a única instituída por Cristo. O texto é uma retomada do documento elaborado em 2000, o “Dominus lesus”, obra da Congregação para a Doutrina da Fé, da qual o então cardeal Joseph Ratzinger fazia parte. A Congregação é conhecida como um órgão conservador dentro da própria Igreja e tutela a fé e a moral no mundo católico.
A afirmação não demorou a gerar respostas de outras instituições religiosas. A Federação das Igrejas Protestantes da Suíça (FEPS, na sigla em francês) afirmou que a Igreja Católica Romana questiona direitos essenciais adquiridos pelo diálogo ecumênico. “A FEPS constata, não sem inquietude, que a Igreja Católica Romana, ao fechar-se nela mesma, se exclui da comunhão universal das igrejas”, afirma o documento divulgado ontem à tarde. Para os protestantes, “a igreja está em toda parte, onde ela prega, onde ela celebra a ceia e administra o batismo conforme o espírito do Evangelho, e onde ela assume sua responsabilidade diante do mundo”, explica o texto. Em sua conclusão, o texto declara que a “Igreja Católica não é ela mesma a verdade”.
A réplica protestante segue um dos fundamentos da religião, o de que não é papel da Igreja ser um intermediário de Deus. “Para os protestantes, o que importa é a Bíblia, e não os dogmas”, explica Lourenço Stélio Rega, teólogo batista e diretor geral da Faculdade de Teologia Batista de São Paulo.
Para Rega, o fato de a Igreja ainda perseguir correntes como a Teologia da Libertação e tentar retomar as missas em latim são indícios de que a instituição não quer participar de uma comunidade religiosa que discorde de seus dogmas. Em entrevista a ÉPOCA, o teólogo comenta o documento publicado pelo Vaticano:
ÉPOCA – Qual a interpretação da Igreja Protestante sobre o documento ratificado pelo Papa Bento XVI? Lourenço Stelio Rega - Acho que ele prejudica o diálogo interconfessional, que é como prefiro chamar o ecumenismo. Nós temos que trabalhar em assuntos muito mais sérios do que esse, como os dilemas éticos do risco da falta de água potável em futuro não muito distante; do aquecimento global; da injusta distribuição da riqueza e da oportunidade de trabalho; da fome e da pobreza. Isso exige um diálogo interconfessional que vai no caminho inverso às declarações do Papa Bento XVI. Eu não quero discutir religião, quero discutir a sobrevivência do homem e do planeta.
ÉPOCA - O que faz a Igreja Católica considerar-se como a única religião plena?Rega - Quando a Igreja Católica diz que é a única, ela recorre ao que chamo de “Mito do Ídolo da Origem”. Esse mito marca a autenticidade a partir de sua origem, traçando o rastro de sangue dos papas que lideraram a Igreja Católica até hoje. Como seus líderes sucederam-se desde o primeiro apóstolo, Pedro, ela se considera a Igreja legítima. Mas, historicamente, isso é questionável. Há falhas nessa sucessão.
ÉPOCA - Qual é a relação entre a Igreja Católica e o Protestantismo?Rega - Hoje a Igreja Católica é aceita como uma ala do Cristianismo. Não se rejeita a Igreja Católica, mas algumas doutrinas dela, como acreditar na intermediação de Maria e dos santos. Já se aceita que existem diversas tradições dentro do próprio protestantismo, como o pentecostalismo e o movimento carismático. Há essa abertura. Para os protestantes, todos podem chegar à verdade por meio de Jesus Cristo e das Escrituras. Alguns pontos de partida são semelhantes, mas a Igreja Católica não aceita.
ÉPOCA - Qual a contribuição do Papa Bento XVI para a atual postura da Igreja Católica?Rega - Ratzinger, como novo Papa, representa um aprofundamento do caminho iniciado por João Paulo II. Em vez de a Igreja Católica ser a Igreja do Povo, ela seria a própria Igreja já dada em sua doutrina. O povo é que tem de se moldar à Igreja, e não o inverso.
ÉPOCA - Qual o efeito disso entre os fiéis? Rega - Isso afasta os fiéis. Especialmente hoje, quando as pessoas querem respostas para o seu cotidiano. Você precisa tomar decisões no dia-a-dia e a igreja deve ajudar a encontrar respostas para isso. Discutir dogmas não ajuda muito.
ÉPOCA - A Igreja Protestante no país deve posicionar-se oficialmente com relação ao “Dominus Lesus”? Rega - Faço parte da Assembléia da Convenção Batista do Estado de São Paulo e esse assunto ainda não entrou em pauta. O pessoal da Suíça reagiu imediatamente porque está mais próximo do calor do acontecimento. Acredito que, de hoje para o final de semana, já haja um documento. O posicionamento deve ir na mesma linha do da Federação das Igrejas Protestantes da Suíça.

domingo, 8 de julho de 2007

Domingo, 8 de julho de 2007 - 10h03
Antes de matar bandidos fizeram seis assaltos, incluindo um primo da advogada Lílian Barros
O delegado do 2º DP, José Elisvaldo Machado de Carvalho, informou que antes de matar a advogada enfermeira Lílian Sâmara Nunes Barros, os assaltantes Cleyton de Sousa, o Cleyton Topete, e Gerson Bernardino de Sousa, o Bibi, assaltaram na mesma noite, em outro o local, o primo da vítima fatal, Ricardo Nunes Barros. Nunes foi ontem a tarde dar essa informação no 2º DP. E Elisvaldo como estava ocupado com outros depoimentos, transferiu o dele para segunda-feira, dia 09.
As investigações de Elisvaldo apontam que na noite do seqüestro Cleyton Topete e Gerson Bernardino promoveram seis assaltos. “Foi um grande arrastão na zona Norte”, declarou o delegado.
Eles roubaram o restaurante Marítimos, na praça do Marquês; um posto de gasolina, uma jovem filha do jornalista William Bogéa, de quem levaram celular e colocaram a arma na cabeça; o primo de Lílian Samara; e depois do assassinato fizeram seqüestro e roubaram a residência de Augusto Nolêto, irmão do presidente do Tribunal Popular do Júri de Teresina, juiz Antonio Nolêto.
Os bandidos seqüestraram Augusto Nolêto junto com os filhos, tomando carro na rua, levando da casa muitos objetos e ainda o levaram, sempre com arma na cabeça, para sacar dinheiro em caixas eletrônicos e rodaram por 200 km chegando até a Santa Maria da Codipi.
Nesse seqüestro relâmpago eles levaram quatro pessoas, incluindo um amigo de Augusto Nolêto. O seqüestro demorou porque o limite de saque no caixa eletrônico, tarde da noite, é de R$ 100. “Eles fizeram uma limpeza na casa”, declarou José Elisvaldo.
O delegado diz que Cleyton Topete e Gerson Bernardino estavam assaltando quem encontravam pela frente, até um pedreiro que estava de bicicleta com suas ferramentas de trabalho. “Eles perguntavam, por exemplo, se a pessoa queria vendera aquele boné. Quando a vítima encostava eles colocavam a arma na cabeça e roubava”, falou José Elisvaldo, que percebe que Cleyton Topete aposta na impunidade, já que em grandes assaltos utiliza a própria motocicleta do pai, um soldado da Polícia Militar, e nem chega a mudar a placa. A moto está apreendida no 2º DP, é uma ronda de placa LVK 8382.
A dupla de bandidos tem falado para os comparsas que em caso de confronto com a polícia luta até a morte atirando contra os policiais. Ontem, dia 07, Cleyton Topete estava no matadouro, mas quando a polícia chegou ele havia saído um pouco antes.
O delegado informou que o cerco no canavial da Comvap, na divisa entre Teresina e União, não deu certo porque eles não estavam lá. Ele acredita que eles ainda estão em Teresina, eles continuam sendo procurados pela polícia. MEIONORTE.COM.BR